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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Restauração da Matriz do Divino Espírito Santo terá início nas próximas semanas

Prefeito Cláudio Martins assina o Contrato com a Marsou. Bispo D. Jaime
Chemello firmou como testemunha.
As obras de restauro da Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, uma das ações contempladas pelo PAC 2 Cidades Históricas, serão realidade dentro de alguns dias. Considerado um dos mais importantes patrimônios do município, o prédio da Matriz está localizado no coração do centro histórico de Jaguarão e começou a ser construído em 1846, sendo concluído em 1875.
Na noite de ontem (1º) a notícia foi pauta de reunião, realizada na Matriz do Divino, com a presença de representantes da Prefeitura, da Igreja, da empresa Marsou, que irá executar a obra, e de membros da comunidade católica.
No início do encontro o prefeito Cláudio Martins e o padre Hamilton Centeno, falaram sobre a relevância desta obra e o quanto esta ação significa para a cidade, no que diz respeito a preservação da memória e da história, assim como sua importância para o fortalecimento da cultura e do turismo. A reunião também contou com a participação da secretária adjunta de Cultura e Turismo, Andréa Lima, que falou sobre o PAC Cidades Históricas e também do diretor de Patrimônio da Secult, Thiago Ramires, que abordou a importância da história da Matriz para Jaguarão.

Prédio da Matriz foi concluído em 1875
Na sequência foi feita a apresentação do projeto de restauro, pelo secretário de Planejamento Pedro Caetano e pela arquiteta Adriana Ança. Conforme as informações apresentadas o projeto é de autoria da arquiteta Simone Neutzling e foi contratado pela Arquidiocese de Pelotas, com apoio e mobilização da comunidade católica. A obra que tem previsão de execução de 2 anos, conta com investimentos de R$ 5.884.067,74 via PAC Cidades Históricas, e contempla o restauro da Igreja ( telhado, forro, piso, paredes, vitrais, instalações elétricas, escada e arco do cruzeiro)e a reforma e ampliação do Salão Paroquial e Memorial.
Para o prefeito Cláudio Martins é uma grande alegria ver o início de mais uma importante obra para a preservação da história e da memória do povo jaguarense. “ É gratificante ver essas obras se tornando uma realidade. Lutamos muito e nos dedicamos fortemente no tema do patrimônio e esses resultados, como o Theatro, o Mercado, o CIP e a Igreja, representam a coroação de um trabalho de um governo que apostou muito na valorização do patrimônio cultural”, destacou Martins, ressaltando ainda que essa será mais uma obra que vai gerar trabalho e renda, contribuindo com a vida de muitas famílias jaguarenses.
Ao final do encontro foi feita a assinatura do contrato entre a Prefeitura, representada pelo prefeito Cláudio Martins, e a empresa Marsou Engenharia, representada pela arquiteta Simone Delanoy. Assinaram como testemunhas o padre Hamilton Centeno e o Bispo emérito da Arquidiocese de Pelotas, Dom Jaime Chemello. Também estiveram presentes no ato o vice-prefeito Lisandro Lenz, a presidente da Câmara, Roseli Calvetti, o vereador Renato Baucke, o presidente do Instituto Histórico e Geográfico, Dr. Eduardo Soares, entre outros.

Foto assinatura contrato: Fernanda Cassel

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Requalificação da Praça Dr. Alcides Marques será tema de audiência pública nesta sexta


A prefeitura de Jaguarão e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional convidam a comunidade jaguarense para a Audiência Pública que irá tratar sobre o projeto de requalificação da praça Dr. Alcides Marques. Na oportunidade IPHAN e a empresa contratada para executar o projeto estarão presentes para realizar a apresentação do projeto inicial de requalificação do espaço.

A atividade está marcada para às 19h desta sexta-feira (15) na Câmara de Vereadores.




quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Prefeito Cláudio Martins participa de Seminário Internacional no México


O Prefeito de Jaguarão, Cláudio Martins, encontra-se na Cidade do México participando do Seminário Internacional ¡Viva el Centro!, organizado pelo governo da Cidade do México e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) o qual se celebra na capital mexicana nos dias 18 e 19 de novembro de 2015. O Seminário é dirigido às altas autoridades dos governos da América Latina e do Caribe, responsáveis pelas políticas públicas em matéria de revitalização, desenvolvimento urbano e econômico, e gestão dos centros históricos.

Os centros históricos são a manifestação viva da cultura da América Latina e Caribe e representam uma grande oportunidade para a transformação urbana integral das cidades. O Seminário divulgará experiencias exitosas de revitalização que incentivem ações de contribuição ao desenvolvimento sustentável e equilibrado das cidades.

O convite para participar do Evento ao Prefeito Cláudio Martins partiu do BID e do IPHAN devido à sua gestão e experiência na luta pelo Patrimônio Cultural, em ações e projetos de preservação e restauro do patrimônio material e imaterial da cidade de Jaguarão. A cidade tem sido referencia nacional no que se relaciona a essas áreas tendo conquistado recursos consideráveis do PAC das Cidades Históricas para o restauro de prédios de grande importância histórica como o Teatro Esperança, recém-inaugurado, o Mercado Público Municipal com obras de restauro em vias de conclusão e outros projetos em andamento.

Representando o Brasil , palestrará no Evento, a presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado, que apresentará a experiência do Brasil em gestão pública nos processos de revitalização.

Informações do BID e IPHAN

Emoção e alegria marcam a reinauguração do Theatro Esperança de Jaguarão

Fotos Roberto Luzardo

Jaguarão viveu na última sexta-feira (13) uma noite especial. Ao longo da semana o assunto de destaque era o Theatro Esperança e a comunidade jaguarense aguardava ansiosa por um dos momentos mais esperados dos últimos cinco anos, período em que o Theatro esteve fechado para as obras de restauro.
Na grande noite uma diversidade de público de todas as idades, que incluía autoridades, professores, catadores, estudantes, artistas e representantes de diferentes setores, foi contagiada pela magia do Theatro e no rosto de cada um era possível ver uma mistura de emoção, orgulho e alegria.
No início do evento, ao abrirem-se as cortinas pela primeira vez, a plateia vibrou e os aplausos representavam o orgulho do povo jaguarense em receber novamente um dos patrimônios mais importantes do Estado, totalmente restaurado.
No momento solene da noite o prefeito Cláudio Martins, o vice-prefeito Lisandro Lenz, o superintendente do IPHAN, Eduardo Hann, o deputado federal Henrique Fontana e o coordenador nacional do PAC Cidades Históricas, Robson Almeida realizaram pronunciamentos em que ressaltaram a grandiosidade do momento e a importância para Jaguarão em ter novamente o Theatro Esperança ativo e restaurado .
Descerramento da placa alusiva à reinauguração
Dentro da programação o público também acompanhou o discurso do presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Jaguarão, Dr. Eduardo Alvares de Souza Soares que falou sobre a história do Theatro Esperança e o show de abertura com os músicos Alessandro Gonçalves, Paulo Timm, André Timm, Darci da Rosa, Fábio Costa e Gil Soares, artistas da terra que levam a música, a arte e a cultura de Jaguarão para diversas regiões.
A festa contou ainda com a apresentação de Shana Muller e Ângelo Franco, promovido pelo Espaço Cultural La Mancha, e também com o show de Serginho Moah, vocalista da banda Papas da Língua.
Entre as autoridades de outros locais que prestigiaram o evento estavam, os deputados estaduais Zé Nunes e Miriam Marroni, o alcalde de Rio Branco (Uy) Christian Morel, a diretora do IPHAE, Miriam Rodrigues, a ex-superintendente do IPHAN, Ana Meira, o prefeito de Pedro Osório, César Brito e o secretário de Cultura de Rio Grande, Ricardo Freitas.
O evento que marcou a entrega do Theatro pelo Iphan e Prefeitura foi uma realização da Prefeitura de Jaguarão em parceria com o Espaço Cultural La Mancha e Sociedade Independente Cultural (SIC).
Confira alguns eventos já confirmados:





28/11 – Show Sovaco de Cobra (20h)

04/12 - Lançamento do Livro de Hélio Ramirez:  O OLHAR DOS VIAJANTES
6/12- Mostra Dança e Estilo: Do passado ao presente: Abrindo o baú da dança (19:30h)
12/12- Espetáculo Viva- 10 anos Ayuni Studio de Dança (21h)
18/12 – Lançamento do disco Cartas de Marear dos Náufragos Urbanos (21h)
20/12 – 13° Mostra Espaço da Dança: “Poesia das Cores” (21h)
SAIBA MAIS: 
O Teatro:
O Theatro Esperança começou a ser construído em 1887 e foi inaugurado dez anos depois. É apontado como o terceiro mais antigo do estado, precedido pelo Theatro Sete de Abril, de Pelotas, e pelo Teatro São Pedro, de Porto Alegre. É reconhecido, do mesmo modo, no cenário nacional, por sua qualidade acústica.
O prédio, tombado por seu valor histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado desde o ano de 1990, passou recentemente a tutela e proteção, também, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
A construção desponta entre os belos acervos arquitetônicos do centro da cidade, tombada nacionalmente por seu conjunto Histórico e Paisagístico, contemplando mais de 800 prédios e uma área de entorno.
O porte da casa de espetáculos traduz a expansão econômica que vivia Jaguarão no final do período oitocentista e princípios do século XX, por sua vez refletida na fase áurea da construção civil e no engajamento da sociedade com a movimentação cultural e artística do país.
A cidade estava no roteiro das companhias que se apresentavam no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Pelotas, e seguiam para Montevidéu e Buenos Aires. Por sua localização estratégica e importância política na região, recebeu peças de autores de renome, como adaptações de Shakespeare traduzidas, Alexandre Dumas, José de Alencar, Lobo da Costa, entre outros, conforme atestam os jornais locais.
Outro aspecto interessante, é que o espaço adaptava-se à realização de espetáculos circences. Para tanto, removiam-se as cadeiras e o piso da plateia, cujo tablado era móvel, e esta se transformava em picadeiro.
A Obra:
A obra teve início em 2010 e contou com recursos do PAC Cidades Históricas, do Governo Federal, com um investimento total de cerca de R$ 6 milhões e gerou trabalho e renda para muitas famílias. No período de restauro foram contratados 60 funcionários diretos e 15 indiretos.
Conforme informações do escritório técnico da secretaria de Planejamento a 1ª etapa da obra gerenciada pelo IPHAN, que ocorreu em 2010 e 2011, envolveu o restauro da cobertura, restauro do forro de estuque, do piso das galerias e sistemas de proteção de descargas atmosféricas- SPDA.
Em 2012 foi dado início a 2ª etapa da obra, que foi gerenciada pela prefeitura e teve investimentos de R$4.634.198,06. Nessa etapa, finalizada em 2015, foram realizados o restauro do palco, camarins, piso da plateia, forro das galerias, escadas de madeira, restauro do foyer das lojas, reforma nos banheiros com acessibilidade, construção da escada de incêndio, iluminação e sonorização.
Ainda segundo os dados da secretaria de Planejamento em outubro deste ano foi executado e aprovado o Plano de Prevenção Contra Incêndio –PPCI, um investimento de R$ 88.993,20.
O projeto de restauro do Theatro Esperança é assinado pelo arquiteto William Pavão e a obra foi executada pela empresa Marsou Engenharia.

sábado, 14 de novembro de 2015

Deputado Zé Nunes na Reinauguração do Teatro Esperança de Jaguarão


Deputado Estadual Zé Nunes prestigiou a reinauguração do Teatro Esperança de Jaguarão e fala sobre a importância desse espaço para a cultura e o desenvolvimento da Região Sul do Estado.
O Evento aconteceu na noite de 13 de novembro de 2015.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Remoção do presídio da área central é tema de reunião


A necessidade de remoção do Presídio Estadual de Jaguarão do centro da cidade foi pauta de reunião na tarde de quarta-feira (16) entre a Prefeitura, Susepe e Poder Judiciário. Solicitada pelo prefeito Cláudio Martins a agenda, realizada no Fórum, contou com a presença do juiz da 1ª Vara, Dr. João Garcez de Moraes Neto, do procurador do Município, Dr. Rodrigo Moraes, do administrador substituto do Presídio, Jaques Machado e do vereador e agente penitenciário, Ariom Moreno.

De acordo com o prefeito Cláudio Martins a ideia de retomar este pleito dialoga com o restauro da Ponte Mauá, que deve ter início no primeiro semestre de 2016. Ele destaca que este tema já esteve em pauta em outros momentos, porém acredita que o cenário atual possa contribuir para que haja avanços no pleito. “O fato desta obra estar sendo licitada e o fato de Jaguarão estar incluído no PAC Cidades Históricas nos dá elementos mais fortes para que possamos debater a remoção do presídio, e a médio prazo pensar no restauro deste prédio, dando um novo uso que dialogue com o espaço em que ele está inserido”, observa.

Ainda conforme Martins além de estar em um local inadequado é preciso levar em conta a questão da segurança, já que o presídio está ao lado da Ponte e do rio, na divisa da fronteira. Ele salienta que o espaço físico ainda tem limitações que dizem respeito a qualidade de trabalho dos servidores e aos próprios apenados, e também faz referências à questão estética. “A Ponte Mauá, é o primeiro bem binacional tombado pelo IPHAN e é reconhecida como primeiro Patrimônio Cultural do Mercosul. Não podemos ter um presídio ao lado. Basta subir na ponte e observar para os dois lados e ver que o visual fica comprometido e isso é prejudicial para uma cidade turística que é, inclusive, Patrimônio Nacional”, destacou.

Em relação à construção de um novo presídio o prefeito afirmou que o Município se compromete em fazer a doação de uma área e também compreende que isso poderá trazer outras mudanças, como por exemplo, o aumento de vagas para presos.

Como encaminhamento da reunião o prefeito Cláudio comprometeu-se em agendar reunião junto a Secretaria de Segurança do Estado para avançar no tema. A direção local do presídio e o juiz, que também compreendem a necessidade desta remoção, se colocaram a disposição para serem parceiros nesta demanda. Além do apoio do Estado a ideia é buscar recursos junto ao Governo Federal, através dos programas de segurança voltados às fronteiras.

Atualmente o Presídio Estadual de Jaguarão conta com um total de 109 detentos, sendo 102 homens e sete mulheres. No prédio principal que tem capacidade para 66 presos estão 80, e no albergue que tem capacidade para 44 pessoas, estão 29. O prédio, que é tombado, é propriedade do Município.

Edição de 23/09/2015 Ano VI nº 231
 
 
 





sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A volta dos Mercados Públicos por Vicentepimentero

Restauro Mercado Público Jaguarão - foto Brasil Arquitetura

Existe um lugar onde o bem comum paira entre caixotes de verduras, artesanatos, secos e molhados, transeuntes e populares, e os aromas de temperos à céu aberto. São os Mercados Públicos. No coração das cidades esses centros foram sempre locais de abundância, novidades e principalmente, grandes locais de trabalho e geração de empregos. Em seus primórdios, navios e carroças chegavam abarrotados de mercadorias para abastecer esses grandes palácios do comércio, couros, grãos, aves, cestos, e todo tipo de mercadoria artesanal e orgânica eram despejados nesses templos que até hoje vivem e sobrevivem nas grandes e pequenas cidades históricas do país.

De norte a sul, os Mercados Públicos dão aquele charme arquitetônico e genuíno que destaca e traduz os poderes estéticos da cidade e de seu povo. É ali que se encontrarão a preços justos as iguarias ou objetos que caracterizam o seu povo. Se quisermos conhecer a cultura local nada melhor que uma visita ao Mercado de sua cidade, cachaças, melados, sandálias, especiarias, panelas, lembranças, berimbaus, tambores, frutas, hortaliças, poções, elixires, brinquedos, sais, incensos, e infinitas raridades se encontrarão nesses feirões entre ferro e paredes antigas. No Mercado antigo do Recife os peixes são expostos ali, à moda antiga, na intempérie e calor seco do nordeste, entre as bancas de caldo e buchadas, misturando os odores e remetendo-nos às mais antigas histórias, as mesmas que ajudaram e ajudam a construir, Brasil de tantas estórias. Na pele de seus vendedores o tempo é recíproco à velhice desses enormes casarões, o sol, as rugas, as mãos calejadas do trabalho árduo, tudo isso nos faz viver mutuamente a vida e a lida dos Mercados. Em São Paulo a imensidão de seus corredores abarrotados de conservas, anchovas, sucos, batidas, fiambres e queijos, dão lugar ao clássico sanduíche de mortadela, não há como visitar a cidade da garoa e não visitar seu Mercado Público, seria quase uma ofensa pro paulistano. Em Florianópolis a banca 35 e sua tradição em petiscos e folclore turístico, em Porto Alegre a salada de frutas da banca que não me lembro do número, mas que fica no térreo. O bar naval, os choppes, e os imigrantes que colonizam fielmente as lojas de insumos, delicatessen, umbandas, cafés.

Descendo ainda mais, chegamos ao Mercado Público de Pelotas, recém-aberto, nessa nova etapa depois da reforma. Em poucos meses ganhou novamente vida de Mercado. Feira da Pulga, Samba, Cafés, e a torre contemplada como nunca, seu desenho, sua luz, um símbolo para a Princesa do Sul. E têm frutos do mar, parrilla, pizza, temperos, cachaças, floriculturas, cabeleireiro, cheio, gentes interessantes, que escolhem um café para ler, contemplar, fotografar, e por que não dançar.

Ah que beleza a velha nova vida dos Mercados Públicos. E as figueiras de Jaguarão, suas sombras esperam ansiosamente que abram as portas do nosso velho e majestoso Mercado. Ali também teremos um tempo para parar um instante no tempo e apreciar aquilo que sempre nos pertenceu e que nos põe entre as cidades que desenham a história deste sofrido Brasil.

Um lugar para aproveitar, uma casa de vó, um Mercado só pra nós e pra aqueles que amam nossa cidade.


Em breve, muito breve, me verei escrevendo sobre esta cidade única bebericando um suco, um café, um chopp, e vendo que se existe história, existe um Mercado Público. Saúde!!

Edição de 12/08/2015 Ano VI nº 225




quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Os 118 anos do Teatro Esperança

Em 2009 iniciou o restauro, ação do IPHAN e Prefeitura, com recursos do PAC Cidades Históricas

por Andréa Lima

Enquanto escrevo este texto, imagino o quanto a cidade estaria em polvorosa há 118 anos , com a inauguração do Teatro Esperança.

Com certeza este seria o assunto mais falado nos bares, lares, vielas e esquinas.

A construção teria iniciado dez anos antes, no ano de 1887, e a noite de 13 de janeiro de 1897 prometia um fabuloso espetáculo com a Companhia Lírica e Operetas Cartocci.

Não foi o primeiro teatro da cidade, mas o grande fluxo de artistas vindos dos grandes centros do país em direção ao Uruguay e à Argentina exigia uma casa de espetáculos à altura. Também eram muitas as companhias rio-pratenses que ingressavam ao Brasil pela fronteira Jaguarão-Rio Branco e que, por aqui, se apresentavam e angariavam fundos para seguir viagem.

Nos primeiros tempos, não havia a ponte, e os artistas desembarcavam dos vapores no porto, com suas vestes e trajes coloridos. Chamavam a atenção dos guris de calças curtas, ruborizavam as moças e, de uma forma ou de outra, mexiam um pouco com a vida de toda a população.

Eram muitos e diversos: cantores, mágicos, dançarinas e trupes circences, que promoviam rebuliço por onde quer que passassem. Talvez fosse por isso que o Teatro Esperança, no começo, possuía um tablado móvel, que poderia ser removido, transformando o espaço em um grande picadeiro.

Contam que além das apresentações artísticas, aí também eram realizadas festas e bailes de carnaval.

No Teatro havia um depósito de carbureto, utilizado como combustível de iluminação, arquibancadas, como acomodações típicas do formado polytheama, e uma cocheira, que ficava localizada aos fundos da edificação. O prédio possui uma acústica perfeita, considerada entre as melhores dos teatros decorativa mural.

Naqueles tempos não havia televisão e, talvez por isso, a casa passasse cheia. Em um período posterior, com o advento da sétima arte, o Teatro também funcionou como cinema, com os melhores filmes em cartaz. Com o passar do tempo e a estrutura se tornando precária, o local foi, aos poucos, se esvaziando. Faltavam recursos para as reformas tão necessárias e as verbas de seus proprietários não eram suficientes.

Em 1990 foi tombado como Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul e, em seu centenário, no ano de 1997, foi municipalizado.

Quando era criança, frequentei muitas vezes o teatro, com as peças amadoras infantis e as promoções escolares. Na adolescência lembro muito bem dos agitos do Jaguararte, dos espetáculos de dança e dos números de teatro e música que, de vez em quando, aconteciam por aqui. Passei um tempo longe da cidade e, quando retornei, ainda pude acompanhar aquele que acho que foi seu último espetáculo antes do restauro, uma apresentação maravilhosa do “Caminhos de Si”.

Restauro em fase final - foto Fernanda Cassel
Em 2009, com uma ação articulada entre a Prefeitura Municipal e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, através do Programa PAC Cidades Históricas, começaram as obras de restauro do Bem.

Recuperou-se o telhado, a pintura mural e parte das galerias, que estavam em estado avançado de comprometimento. Com a segunda etapa do programa as obras prosseguiram e, apesar da demora e complexidade típicas de uma obra de restauro, o prédio em breve será devolvido em excelentes condições ao uso da comunidade.


Vida longa ao Teatro Esperança, desejamos mais 118 anos de história!


Edição de 14/01/2015
foto Fernanda Cassel