Um espaço aberto para o leitor
quinta-feira, 26 de março de 2015
quarta-feira, 25 de março de 2015
Em letras e números, o lado escuro do terceiro turno - por vicentepimenetero
O
oportunismo imediato de uma minoria derrotada pelo PT junto à luta
de classes em mais uma eleição, não mediu forças, inteligência,
e muito menos argumentos cognitivos à sua revolta. Numa trapalhada
estratégia de pressionar o governo tentando atiçar a força popular
e a camada pensante da sociedade, que não é pouca, utilizou-se da
implacabilidade quase letal da mídia, e do financiamento
empresarial/partidário, fazendo alarde e levando às ruas um
inexpressivo número de pessoas, tratando-se da gigantesca população
de habitantes da velha República das Bananas. Um para duzentos e
dois, na língua das apostas. O passado domingo vai ficar para a
história do deboche contracultural, mas não evitará que mais
adiante alguns governos venham a elevar esta data como forma de
vitória, como assim o fizeram em datas vergonhosas que comemoramos
até hoje, com esmero e dedicação. O que se viu no domingo passado
foi um reality show que misturou, a programação nobre da tv
sensacionalista, entendam-se como as três maiores emissoras
televisivas no arquivo confidencial e a novela do tititi da vida,
juntamente com o resgate do brasilianismo, movimento gerado lá nos
anos 30, quando a academia científica norte americana enviou seus
jovens para deliberadamente começar a implantar seu ímpeto de
domínio através de suas espionagens perante a soberania de
resguardo da cultura nacional, e por fim, uma parcela esquizofrênica,
típica dos vivos mortos que habitam os centros das grandes
metrópoles na claustrofóbica prática de venerar o sistema. Contudo
ali, também nascia a manipulação da maneira de ver nossas próprias
culturas, numa alquimia da americanização das coisas, isso,
notoriamente, até os dias de hoje (busque brasilianismo não se
acanhe).
Enquanto
se construía e se constrói, ao longo destes últimos 12 anos, um
Brasil com invejáveis avanços sociais, o que a priori revelava um
país representado pelas inúmeras desigualdades, uma massa, porém
pequena para o tamanho do povo brasileiro, urge em descontrole
intelectual pelas ruas do país, contraditoriamente, batendo cabeça
no mais sórdido financiamento midiático que já se viu. Nas
principais avenidas e costeiras de algumas cidades e em algumas
partes do território nacional, perceberam-se as infinitas sequelas
deixadas pelos matizes cinzas da trágica história que nos precede,
reverberou entre as épocas coloniais, a ditadura militar dos anos 60
e 70, e o covarde golpe capital, selvagem e voraz da neo liberação
que hoje resulta na parte mesquinha de uma nação. Mas nos lineares
da história recente e paulatinamente, escreveram-se os capítulos
mais lindos e impossíveis, jamais lidos no livro da vida dos
brasileiros, onde um povo, cansado de sofrer com a hegemonia
ditatorial da escravidão e o preconceito, manifestou-se de verdade e
mudou uma história que adormecia a mais de 500 anos.
Desde os
anos oitenta em meio ao turbilhão e a intoxicação que meio capital
tomava, à deriva de trotes desenfreados, nascia o PT, o mesmo que
hoje é aclamado como vilão dos partidos, vinha naquele então,
mudar a história de um país em decadência moral, onde a fome o
punha no mapa do quarto mundo, sucumbindo à miséria. Pois bem que
se diga, a construção de uma nova ordem social e um novo modelo
político de inclusão foi criada por esse mesmo PT, um socialista de
vanguarda com forte apelo popular que articulou-se entre as
traumáticas lembranças da ditadura e que viria a repartir igualdade
para mais de 50 milhões de brasileiros, 50 vezes mais que o público
de domingo passado. Estamos falando de mais de cinquenta milhões de
famintos e indigentes, contra um milhão de pessoas que nunca
estiveram na faixa da miséria, apenas da pobreza (de espírito)
cinquenta para um, na língua e na síntese das comparações.
Entretanto e não mais tanto, mas voltando a aberração do dia 15,
tivemos por parte do público participante um festival de
contradições que demonstra não só para nós, mas sim para o
mundo, de como somos ignorantes, no alto da palavra, pois mesmo com
uma vergonha alheia semelhante ao tamanho da pátria, tivemos que
participar, mesmo que indireta ou contrariamente, da exposição, ao
cume do ridículo. A população de pseudo manifestantes que tiraram
sua bunda do sofá e saíram a abençoar suas cabecinhas pelo clero,
não contentou-se em vestir a camiseta que não vestiu na copa, a da
CBF, instituição publicamente torrada pela corrupção, e gritou
contra a corrupção, mas também gritou com muito orgulho à volta
da ditadura, enquanto procurava-se desesperadamente pela miscigenação
das raças, mestiços, pardos, negros, sararás, latino brasileiros,
por que será? Será que há de se pensar, ou é pura implicância?
Total né, o que importam os genocídios que criaram o braço forte
da identidade do país né?
Enquanto
isso crianças carregavam faixas e cartazes com a mesma falta de
ortografia dos pais, e misturavam frases que não faziam sentido que
até pro Paulo Freire sobrou, e pro Aguinaldo Rossi. Dispensa
comentários, os curiosos que procurem no google. Mas os gritos que
mais se ouviam, além do fora PT, eram entrelaçados pela volta do
regime militar e a democracia, sem dar-se de conta que um não casa
com o outro, se não houvesse democracia e houvesse regime, estariam
todos presos pelas besteiras, pelas ofensas e pela singela e ingênua
liberdade de expressão facebookeana. Logo torturados, logo, isca de
tubarão. Mas os absurdos não param por aí, houve tenebrosos grupos
de apoio à passeata, e os mesmos candidatos eleitos em prol da
homofobia entre outros pré-conceitos estavam lá, então quando se
levanta uma bandeira está se apoiando a passeata toda, entre
cúmplices que se entendam. Não se viu uma bandeira sequer
implorando pela falta de água, o ouro cristalino não entrou na
lista das exigências, que raro não? Chorou-se por gasolina, mas não
caiu uma lágrima quando o assunto era fome, não importa. Esse é o
povo do terceiro turno, o povo que inventou uma forma de não sair
perdendo, o povo que, quer fazer que todos, até os vitoriosos
percamos. O terceiro turno foi o mais visto, acompanhado, foi o mais
pop, foi um ato político, social, de revolta, de certezas e
incertezas. O terceiro turno tinha cara de gol, de grito final, de
revanche, de vingança, de prato frio. Mas voltando aos números...que
coisa linda, os números, num melhor de 3 é que nem jogo de truco,
la primera en casa, depois é só matar a segunda, num terceiro turno
não chega nem a ser amistoso, é voto nulo, perdeu playboy, em tua
língua? Game Over.
Edição
de 18/03/2015 Ano IV nº 204
Mexeu com uma, mexeu com todas!
Esses dias li uma frase
que me chamou muito a atenção, estava escrita em uma faixa de uma
Marcha de Mulheres da Amazônia, se não me engano, e dizia: “as
mulheres são como as águas, crescem quando se encontram”. Pura
verdade. E também dialoga muito com outra que diz que é fácil
reconhecer mulheres fortes, que são aquelas que buscam ajudar e
estar unidas a outras mulheres, ao invés de vê-las como inimigas.
Parece coisa simples,
mas para pôr em prática, se faz necessária a desconstrução de
tudo que nos é ensinado e incutido de diversas formas ao longo da
vida. A educação e a cultura em nossa sociedade, pautadas pelo
patriarcado, durante longa data nos ensinaram a competir e a ver em
outras mulheres adversárias. Na televisão, por exemplo, e
principalmente nas novelas, são corriqueiras as tramas e cenas em
que uma mulher “puxa o tapete” da outra, sente inveja, trai, fala
mal, chantageia e isso, infelizmente, faz parte da nossa formação.
Se as meninas crescerem buscando referências no que encontram neste
tipo de programação, dificilmente conseguiremos transpor estes
estereótipos que nos moldam e buscar coisas mais produtivas para
pensar e fazer.
Por este e outros
motivos, já faz muito tempo que lá em casa fechamos as portas para
a Rede Globo. Quem quer educar um filho ou uma filha tem que
entender, definitivamente, que a televisão não deve ser o membro
principal da família, como um dia nos disse Eduardo Galeano.
Precisamos ouvir uns aos outros, possibilitar momentos de encontro e
estarmos unidos e unidas em torno de questões que dizem respeito
diretamente à transformação das nossas vidas.
A semana passada foi
uma semana muito bacana neste sentido para mim, em que estive junto
com outras mulheres e aprendi muitas coisas. Aconteceu em nossa
cidade a 4ª Marcha e a Semana Binacional das Mulheres, com uma
programação diversificada que se estendeu de 08 a 13 de março, com
encontros, saraus, mostra de vídeos e outras atividades de formação.
Já faz quatro anos que
reconhecemos no Dia Internacional das Mulheres, em Jaguarão, uma
data de luta, e estamos em marcha nas ruas. Nos reunimos e levantamos
bandeiras e faixas em uma caminhada simbólica que faz parte da busca
pela garantia dos direitos e construção de mais espaços para as
mulheres, de forma posicionada contra toda forma de violência e
discriminação.
Este ano elegemos como
pauta principal a luta pela Reforma Política, que deve ser
construída com muito diálogo com a base e os movimentos sociais,
para mudar a cara dos Congressos e Assembleias, que são, em suma,
dominados por homens, brancos, representantes do empresariado, do
agronegócio e das bancadas evangélicas e, assim, muito pouco
representam nossos anseios, já que somos a maioria da população.
Não fomos para a rua
pedir o “Impeachment” da Presidenta Dilma, que tem muito mais a
cara de tentativa de golpe da direita insatisfeita com os resultados
das eleições, mas pautamos sim a necessidade de se acabar de uma
vez por todas com o financiamento empresarial e privado de campanhas,
que afasta e despolitiza as pessoas e transforma um espaço de
construção de direitos em um cenário de disputa econômica, que
têm desfavorecido a classe trabalhadora e os setores mais
vulneráveis da população.
Quero fechar este texto
dizendo que foi um imenso prazer contar com a participação, este
ano, de muitas mulheres uruguaias nestes movimentos, pois foi a
primeira vez que conseguimos fazer a semana com o formato binacional
e conhecer melhor a realidade das mulheres fronteiriças.
Por
aqui, a ordem do dia passou a ser “Si tocán a una, tocán a
todas!”. “Mexeu com uma, mexeu com todas!”
Edição
de 18/03/2015 Ano IV nº 204
CANAL DE COMUNICAÇÃO - Protestos
O 15 de
março tem sido uma data muito importante no Brasil. Desde a posse de
Sarnei que era candidato à vice de Tancredo Neves, numa eleição
ainda indireta, onde os eleitores foram os componentes do Congresso
e pelo fato de o candidato à presidência ter adoecido e ter sido
internado às vésperas de sua posse, elegeram Sarnei que até há
poucos dias não largou mais o poder, mesmo que não tenha sido
sempre como presidente. O candidato eleito que não assumiu, acabou
morrendo dia 21 de abril.Depois de novas eleições, de altos e
baixos, de impeachment de Collor, que havia ganho de Lula, ainda com
intervalo de aoutras eleições, assumiu o poder por já mais de doze
anos o Partido dos trabalhadores, Pt. Lula foi várias vezes
candidato e finalmente tornou realidade o sonho de comandar o País,
e segundo José Dirceu, criar uma forma de não entregar o poder
antes dos vinte anos. O esquema foi criado, as corrupções que
alicerçaram todas as outras eleições forami um sucesso e eles
ainda lá estão. Acontece que hoje o povo não mais os agüenta. A
péssima administração que a Nação vem sofrendo, com aumentos
quase diários de tudo que é essencial para a sobrevivência. Com
retirada de direitos adquiridos pelo trabalhador e mais ainda pelos
sofridos aposentados, fez com que a “vaca tossisse”, pois a
Presidente Dilma havia dito, bem há pouco tempo que não mexeria nos
direitos dos trabalhadores” nem que a vaca tossisse”. Por essas e
mais outras mil e uma razões, os protestos são justos, são válidos
e são um direito que ainda não foi proibido. Impeachment da
presidente Dilma até o momento não acontecerá, pois ela ainda não
deixou provas de culpa, ainda não tem crime delatado, nem no
mensalão nem no caso da Petrobrás. Ela não tem como Collor,
corrupção conhecida onde ele foi diretamente condenado por suas
ligações com seu tesoureiro em atos escandalosos de corrupção
como conivente e mentor. Ele foi cassado e novamente assumiu um
vice, Itamar Franco, mas como nossa legislação é boazinha, como
ela não é rígida com os criminosos, é só ver os implicados do
mensalão, Collor renunciou horas antes da cassação, pois assim não
perderia seus direitos políticos. E lá está ele novamente no
Congresso sendo indicado como um dos implicados com as propinas
denunciadas pela operação Lava-Jato. Por tudo isso, sou
totalmente favorável a essa belíssima demonstração de coragem e
de uso dos direitos democráticos que a Constituição assegura, por
esse povo, dessa vez ordeiro em quase totalidade do País e que está
obrigando o governo federal repensar suas atitudes e seus atos. Se as
coisas não mudarem outros protestos acontecerão, e é quase certo
que atitudes mais fortes também. Mas é preciso que seja algo do
povo, sem ligações político partidárias ou pessoais, aliás, foi
o que enfraqueceu o movimento em muitas cidades, acredito que também
na nossa. Tem que ser algo que surja do coração e da mente do povo
e que atinja a mente dos governantes. A Nação não agüenta mais. O
povo das diferentes classes sociais não agüenta mais. Inclusive os
próprios eleitores da hoje Presidente, não agüentam mais. E se
fosse tirar a Dilma, colocar quem? O vice que é uma foto cópia do
Sarnei? O presidente dos deputados federais, Cunha, que já mostrou
para que veio? É como dizia um amigo meu já falecido: aí só tem
ariranha.A frase é de James Shirlei: SÓ AS AÇÕES DOS JUSTOS TEM
DOCE AROMA E FLORECEM EM MEIO À POEIRA.
Edição
de 18/03/2015 Ano IV nº 204
Jaguarão. Ontem, hoje - Tempos Passados 1813 - 1900
Por Cleomar Ferreira
Existiu
no terreno onde outrora funcionou a Estação Ferroviária a
Capelinha de Nosso Senhor do Bom Fim. Em terreno doado pelo senhor
Francisco Antônio da Silva Amaral.
Esta
Capelinha foi edificada e posteriormente demolida em 10 de Dezembro
de 1931 para dar lugar as obras da Estação Ferroviária. Quando da
finalização das obras da Estação, foi entregue à Comissão
encarregada da Capelinha o que sobrou do material da construção e
mais um montante em dinheiro a título de indenização.
Existiu nas proximidades onde está localizado hoje o
Cemitério Municipal, uma charqueada. Ainda hoje é possível
observar vestígios do que afirmamos. Pertenceu à Francisco Antônio
da Silva Amaral, português, nascido em 27 de Março de 1856 e
radicado aqui quando ainda era um menino. Foi comerciante, fazendeiro
e um dos primeiros introdutores do gado Hereford neste município.
Faleceu em 07 de Fevereiro de 1910, tendo provocado a própria morte.
Em
26 de Março de 1876, a Lei Provincial nº 1008, reconheceu como de
propriedade da Câmara Municipal de Jaguarão, os terrenos que dariam
origem a cidade.
Este
patrimônio foi doado pela Viscondessa de Magé – ( Maria Ignácia
da Gama Freitas Berquó ) e por ela destinado à criação de um
povoado.
Por
volta do ano de 1846, já havia uma planta da Vila, dai ocorreram o
surgimento das ruas com os antigos nomes que eram denominações
colocadas pelos moradores. Exemplo: - Rua das Pombas, Pântano,
Riacho, Prazeres, Trincheiras, Prado, Figueiras, etc.
A
povoação resultou do aglomerado de casas de torrão e palha,
levantadas nas imediações dos acampamentos militares.
O
ponto inicial desses acampamentos foi a pequena guarda militar,
colocada nas margens do rio Jaguarão, cerca de duas léguas da atual
cidade.
Um
dia já fomos conhecidos como “Guarda da Lagoa e do Cerrito”,
isto de 1801 à 1812. – Depois passamos à Freguesia do Divino
Espírito Santo de Jaguarão. – Em 06 de Julho de 1832, fomos
elevados a categoria de Vila e Cidade em 23 de Novembro de 1855.
Em
24 de Março de 1873, a Freguesia de Arroio Grande que pertencia a
Jaguarão é desligada do Município e elevada à categoria de Vila,
pela Lei Provincial nº 843.
Você
sabia ? Quando buscavam um local para a construção do Ginásio de
Esportes Ferrujão, foi cogitado construí-lo na Praça Comendador
Azevedo.
É
isso aí, um abraço e até a próxima edição.
Fonte:
Bibliot. Públ. Mun. Imprensa local- 1971.
Edição
de 18/03/2015 Ano IV nº 204
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