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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Coral Municipal abre inscrições para o canto coral no Theatro Esperança


O Coral Municipal abriu inscrições gratuitas para o canto coral, através de uma iniciativa da secretaria de Cultura e Turismo (Secult) e Sociedade Independente Cultural (SIC). As atividades terão início às 20h do dia 25 de abril, no Theatro Esperança.
Mais informações podem ser obtidas na Secult (XV de Novembro, 701- fone:3261.5100) ou com o Regente Magnum Patron Sória ( 84411285).

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Coluna Gente Fronteiriça - Manifesto Mestiço

Por Magnum Patrón Sória

Ulisses avista Fradique no mar!
Camões não entende que ele vem desesperado,
avisado por Malinche que a Guerra do Novo Mundo continua!
Sabe-se que já não se quer mais ficar na beira das tormentas:
Alfonsina recruta seu exército de sereias cantoras!

Sofrem os que dormem, sofrem os que suam, sofrem os que mestiçam vida na América!
Os crioulos, ou são os “criollos”?
São os filhos da terra, os filhos do céu, os filhos de?
Nossos filhos!

Fradique que nunca conheceu as fronteiras de Queirós perturba-se com os atuais Fradiques de hoje,
tão tolos em seu afã de impor fronteiras,
vêem suas bandeiras envermelhas,
não são mais as bandeiras do Sangue do Redentor,
São manchadas do sangue dos nossos filhos,
dos seus filhos que insistem em dizer que da pele vermelha primeira vieram,
Realizam hoje a mistura ameríndio-luso-afro das culturas, ordenando que bom é ser mistura, transcultural!
Bom é ser humano, de verdade, amorumanidade!

Avisem a Fradique: as rosas ainda falam na Metrópole,
Os tambores continuam tocando nas Antigas Colônias
A alegria da liberdade toma cores múltiplas.

Regressa rápido, belo Fradique, acompanhado do Velho do Restelo,
falando a ele das utopias de além-mar: porque a guerra é outra hoje!
Alfonsina está lhe esperando para o cerimonial das nereidas e ninfas:
vamos festejar a saudade com tambores,
gritar os bocages de Maputo,
beber os vinhos do Porto na Bahia de todos os Santos,
rezar as missas dos antepassados de Moçambique,
colher os milhos e os tomates da América, com as sobremesas de Santa Clara, em Macau!
É a mistura do além-mar, quebrando os estilhaços promovidos pela audácia colonial de Cortéz e Pombal,
É a língua que nos uniu, é a mistura que nos identificou...

Festejemos, festejai!

Edição de 14/10/2015 Ano VI nº 234





quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Coluna Gente Fronteiriça - Tempo de Fronteira

Por Magnum Sória

O tempo que tudo eterniza é o mesmo que tudo fenece! Na fronteira, o “dom” tempo é marcado pelas tempestades de raios e ventos - pelos “Santa Rosas”, pelo Minuano gélido, pelas robustas e cristalinas geadas, pelas cerrações concentradas de belas gotas com ar de mistério e transcendência ou pelo tórrido vento Norte do verão. Que terra é esta de contrastes e embates da natureza tão abruptos? Lugar aonde, dos quatro graus se vai aos trinta, aos quarenta em segundos? Será que isso é um determinante do tempo do humano coração fronteiriço que bate e rebate contra o Tempo da vida? 

O que sei é que ainda o tempo determina uma fronteira meteorológica: é encantador saber que se chegou no sul do sul ao sentir o frio vindo de más allá ou no calorão perfumado de Madresilvas ou Damas da Noite plantadas nos beirais das largas calçadas. Que se chover na primeira terça do mês, vai chover o mês inteiro! Que se molharem as imagens dos velhos santos, choverá torrencialmente no final do dia! Que a chuva inspira bolo fritou da vó ou torta frita da madrinha. Tomar um mate “saboreando” o ouro solar na beira do cais ou mirar de Rio Branco a beleza dos velhos casarões sombreados e cobertos de azul anil, que de tão belo, inspira poesia e encanta os que de longe vem estudar nestes pagos.

O tempo é marcador das personalidades: somos meteorológicos na essência! Porque ainda se nos apetecem as termitas castelhanas, os ponchos tramados de jacar, as mantas penduradas em plenos quarenta graus nas ruas antigas. Fugir do contratempo do dia e tomar um banho de prata da Laguna Mirim, escutando o vento batendo sibilante nas árvores do pequeno balneário. Voltar de “bolanta”, já foi... elas partiam antes do sol dormir. 

O tempo... antigo e novo! Tudo se mistura quando a chuva cai nas eiras e beiras. A força do tempo inspira o homem da fronteira a ser um SOBREVIVENTE! Sim, aqui apenas viver não é o código de existência. Na fronteira do tempo, na fronteira dos climas o verbo é sobreviver se assim se quiser ser substantivo concreto! Isso é vida na fronteira heróica! É existência de teimosos e porque não dizer um "maravilloso placer"!!!

Edição de 09/09/2015 Ano VI nº 229
 
 
 
 


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Coluna Gente Fronteiriça - À cerca das cercas!

Por Magnum Patrón Sória

Dos moirões antigos da casa grande ou das pedras crespas das senzalas, surgem elas, como serpentes esgueiradas ou pautas sonoras, ribombando os tantos mandados que por elas exibem suas forças e balbuciam as tormentas vindas de más allá! As cercas! 

Demarcam a fronteira entre o é e o devir, entre o está e o já foi, entre o que tem com o que perdeu ou nem teve tempo de compreender! Nelas paixões fugidias entre maragatos e chimangos, entre as negras e os restos indígenas que ainda haviam nestas bandas do Jaguarú Grande! Fim da linha para os brancos em guerra, possessos de posse! Algumas marcam ainda os ideais de liberdade privada, outras guarnecem os fétidos e obscuros tenebrosos momentos de roubos e soberbas. Formam varais na campanha, brincadeira de guri, alívio das coceiras dos cavalos e vacas! Tornam-se apoio do descanso das bergamotas do pós-almoço charrua! Aliviam heranças e mantém patrimônios e quando atravessadas, matrimônios ou traições e infortúnios, depende do passo que te dão. Na fronteira dos idos, no presente dos vetos. Testemunharam a força das sesmarias, dos governos nos campos neutrais, das coroas endoidecidas de uma época confusa, não mui diferente de hoje! E aqueles que te fizeram... guapos e teimosos! Homens de dor, de feridas sangrentas, alimentados pelo sol escaldante de janeiro ou de geadas no bruto frio destes meridianos. 

Quantos amores ficaram gravados nas tábuas que te mantém aramada! Que corações empedrados ainda assombram as antigas senzalas, ou iluminam potes de moedas antigas nas noites de lua cheia, ou emudecem uma cultura calada pela segregação, ou trazem os fantasmas das noivas que perderam seus alambradores! Velhas cercas da fronteira! Moirões apodrecidos! Arames ferrugentos. Contem as histórias desta gente mesclada, deste povo valente, que foge da mesmidade do pampa. Abram as porteiras do esquecido e embretem as ilusões que anestesiam os viventes da realidade. Sejam mais como as cercas das casas das cidades: onde a vizinhança se faz mais próxima, onde há lugar para o prato das sobras para os que não tem nem migalhas. E assim, solidariedade e humanidade serão teus alambrados e tuas tábuas, os piques de vida feliz. 

Edição de 06/08/2015 Ano VI nº 224


 

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Coluna Gente Fronteiriça - Campos Elísios: uma utopia na fronteira do ser!

Por Magnum Patrón Sória

Passando a Ilha de Atlântida, lá perto das cachoeiras douradas pelo sol brando de primavera, está Campos Elísios. Uma terra nascida para os aventureiros e dignitários filhos das luzes, frequentada por estes para o deleite duma sombra fresca de figueiras centenárias. 

Lá nesta terra não se fala dos medos, das mortes, das mentes infestadas de corrupção e distantes da prática do amor fraterno. As crianças dormem no colo de seus pais amorosos. Os velhos contam histórias na roda de chimarrão. Os adultos trabalham seis horas por dia somente naquilo que os fazem perceber a alegria de viver e servir o próximo. Como é bom andar pelas ruas de Campos Elísios! Suas alamedas cravejadas de árvores frutíferas de todas as espécies encontradas na natureza.

Calçadas largas onde os passantes encontram bancos limpos com prateleiras dos livros mais importantes, do tempo em que Ana Boéssio ensinava a Poética com todo o brilho e avidez da boa educação, tempo dos literatos ocupados pela evolução da alma humana, ao ponto de morrerem felizes diante das penas úmidas de encantamento literário. Nesta cidade limpa e organizada, Pasárgada é piada! Ninguém quer ir embora não! Tudo prospera! Tudo se partilha! Tudo se renova e cresce para nunca mais desaparecer. Curioso é ver o trânsito desta cidadela: os carros feitos de algodão movidos a ar quente vindouro de traz das cachoeiras douradas perfumam de aroma de chuva todas as ruas por onde passam. Ninguém corre! Todos se comunicam no tempo certo, na hora certa. Religiões, partidos, disputas eleitorais... Ah não! Foram abolidas! Em Campos Elísios Deus mora na praça e janta todos os dias com seus moradores! Os dirigentes da cidade são todos os vizinhos de Deus! Amam e são amados. Ninguém precisa “desocupar-se” para poder “ocupar-se do bem comum”. Para chegar a Campos Elísios, é preciso sonhar! Pegue o primeiro trem da felicidade de fazer o bem sem querer recompensas e chegarás a ela! Deslumbra-te! Aproveita! Pois farás a maior experiência humana possível e já não será utopia aquilo que verás com teus próprios olhos curiosos. 

Edição de 02/07/2015 Ano VI nº 219
 
 
 

sábado, 7 de março de 2015

Coluna Gente Fronteiriça - Mulheres Guerreiras

Por Magnum Patrón Sória

Já me lembro certa feita do ocorrido, na volta das barrancas de água doce do rio Jaguarão! Entrando de passo lento e firme, os valentes soldados uruguaios embretam na terra brasileira, na terra do Pedro II. Quem estava lá para defendê-la? Quem cuidaria de tamanho infortúnio? Os homens seus lutavam lá pelas bandas do Paraguai. Até seu pároco não estava presente para consolar e defender deste empreendimento bélico.

Elas! Sim, elas - as heróicas mulheres prendadas e guerreiras de sangue cozido na mistura charrua-lusitana-castelhana! Com poucos homens: dizem que havia somente alguns velhos e uns poucos jovencitos, seguem elas impondo a lei natural de preservação e contando com a escolta do General Marques de Souza. - Hasta luego!!! Gritam as heróicas guapas, munidas de seus óleos quentes, pelegos e armas caseiras das mais exóticas. Jamais se viu um quartel tão audacioso! Felizes, retornam para suas casas, trazendo na alma e nas mãos, não só a terra conquistada e defendida, mas a soberania do Império Del Rei, o poder da conquista, a imposição de uma nação. Nesta terra de nação alguma, vinte e sete de janeiro declarará esta conquista – a conquista das heróicas. Assim são as mulheres desta terra: guerreiras, heróicas, fortes, valentes, audaciosas. Filhas talvez de Ana Terra, ou simplesmente “Anas que a dor não quebra nem consome, Anas da terra-mãe e nada mais”, já dizia o poeta campeiro. 

Hoje estas guerras são estórias, pois o combate da vida, da garantia do amor contínuo e da esperança dos filhos crescerem felizes é o foco destas jaguarenses. Em suas preces, prantos e atitudes, deixam um legado universal para todos que precisarem de uma referência de como a vida pode transcender diante das situações limiares, uma vez que a bravura e a maternidade, aqui nesta terra de mulheres fortes, caminha de mãos dadas. 

Edição de 04/03/2015  Ano IV nº 202  
 


sábado, 31 de janeiro de 2015

Coluna Gente Fronteiriça - Amor da Rua do Cordão

Por Magnum Patrón Sória

Já me lembro certa feita, nos idos de mil novecentos, quando ainda as terras do sul não sabiam que a liberdade era para todos e dos porões da casa grande nasciam histórias, ouvia-se na praça, os barulhos contínuos, ritmos da palha e da flanela firmes que deslizavam como uma mão suave! O sapateiro lusitano... não qualquer! Mas, aquele que veio de além-mar, procurando uma nova terra, um novo horizonte!


Achou-se por aqui, quedou-se por aqui... Era ela o motivo! Escrava de origem. Tratada ao longe das aspas de quem tem nome grande e sangue azul, ainda sob o jugo da escravidão, em um tempo em que a cor da pele obrigava e forçava a todo tipo de indignidade.

Aquela do sangue escuro, alforriada pela mão do seu amado lusitano, vê diante de si, aberta pela mão suave de seu esposo, a porta da dignidade social. Sim! A morena jambo lustrou e cuidou do brilho de seu novo senhor! Suas vidas misturam-se, amordaçando todo preconceito e estranhamento da vida cotidiana da então pacata terra do Jaguarú, que não suportava tal feito. Ele cumpre o que prometera: tira-a da escravidão, deixa-a livre! Ela, encantada por seu novo senhor, já novamente assume outra escravidão amiga, casa-se com seu agora senhor de liberdades e carinhos.

O tempo passou, a história da escrava de mãos suaves continua cravada entre as pedras da rua de chão batido, de nome Cordão. Ao passar pela casa antiga, nenhum vivente imaginaria tamanha trama, nesta pequena rua do Cordão. Das amarras da dor, para o cordão faceiro, coisas de gente que abre a porteira quando a oportunidade aparece como visita, mas acaba adotada para sempre. Hoje ainda resta o fruto do amor. Já velha pelo tempo, já querida por aqueles que amam os amores que não seguem as linhas brutas da razão.   

Edição do dia 21/01/2015