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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Sessão de autógrafos: Lau Siqueira lança nova coletânea de poemas em Jaguarão

Lançamento acontece neste sábado, no Círculo Operário de Jaguarão

A  passagem do tempo, a incompletude humana, a memória, a sensualidade, o fazer poético e as contradições da vida contemporânea. Estes são alguns dos temas aos quais Lau Siqueira se dedica em sua nova coletânea de poemas, intitulada “a memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas” (Casa Verde/Série Cidade Poema, 2017). O autor, natural de Jaguarão (RS) e residente na Paraíba desde 1985, retorna a sua cidade natal e autografa no dia 16 de dezembro, sábado, às 21h, no Círculo Operário de Jaguarão (Rua Mal. Deodoro, 377 - Jaguarão/RS). A obra estará à venda no local por R$ 32,00 (R$ 30,00 para pagamentos em dinheiro).


Com uma visão delicada sobre as “inutilidades necessárias”, o autor constrói uma poética firme, calorosa e úmida que passeia por silêncios e brevidades. O poeta desenha sobre o corpo (seios, salivas, bocas, braços, ombros) as possibilidades infinitas de sua poesia. Autor experiente, Lau Siqueira defende que “mais um livro de poemas, neste momento, significa investir na perenidade das incertezas”, conforme escreve na dedicatória da obra. Este é seu terceiro livro de poemas pela editora porto-alegrense.
Sobre o autor
Lau Siqueira nasceu em 1957, em Jaguarão (RS), e reside há trinta anos em João Pessoa (PB). Seu primeiro livro foi “O comício das veias” (1993), seguido por “O guardador de sorrisos” (1998), “Sem meias palavras” (2002), “Texto sentido” (2007). “Poesia sem pele” (2011) marca o início da parceria com a editora porto-alegrense Casa Verde, que prossegue com “Livro arbítrio” (2015) e este “a memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas”. Participou de antologias como “Na virada do século – poesia de invenção no Brasil” (2002, organização de Frederico Barbosa e Cláudio Daniel), “Moradas de Orfeu” (2011, organização de Marco Vasquez), “Bicho de siete cabezas” (2013, Argentina, organização de Martin Palacio Gamboa), “A arqueologia da palavra e a anatomia da língua” (2012, Moçambique, organização de Amosse Mucavele) e “Poemas que escolhi para crianças” (2013, organização de Ruth Rocha). Atualmente, é Secretário de Estado da Cultura da Paraíba.
Serviço
Sessão de autógrafos de  “a memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas”, de Lau Siqueira
Quando: 16 de dezembro, sábado, às 21h
Onde: Círculo Operário de Jaguarão (Rua Mal. Deodoro, 377 - Jaguarão/RS)

Saiba mais!
“a memória é uma espécie de cravo ferrando a estranheza das coisas”
Autor: Lau Siqueira
Gênero: Poesia
Páginas: 88 p.
Formato: 12cm X 18cm
ISBN: 978-85-9906-33-30
Projeto gráfico: Roberto Schmitt-Prym
Desenho da capa: Bianca Santini, grafite sobre papel, 40x59 cm, 2015
Revisão: Press Revisão
Coordenação editorial: Laís Chaffe
Editora: Casa Verde
Preço de capa: R$ 32,00
Pré-venda pelo e-mail casaverde@casaverde.art.br

quinta-feira, 26 de maio de 2016

E AGORA O PROBLEMA É A CULTURA?

Por Lau Siqueira*

De uma hora para outra aparecem pessoas revoltadas com os artistas e criminalizando a cultura. Me pergunto se acham mesmo que podemos resolver os problemas da saúde, educação, segurança, etc, suprimindo cerca de 0,35% do orçamento que é, em média o que se gasta com cultura neste país. Quer dizer que a corrupção, mote inicial dos "revoltados on line", está fora de pauta? Quer dizer que a sonegação fiscal que é gigantesca e que sequer foi investigada ainda, não representa nada? Temos museus fechando, teatros desabando pelo país afora e o problema é os artistas lutando pela permanência de políticas públicas para a cultura? O mais engraçado é que a única coisa que esse presidente interino preservou foi a Lei Rouanet que o ministro Juca Ferreira lutava para transformar. Tem projeto sobre isso tramitando no Congresso, sabiam? E agora aparece uma matilha de desinformados raivosos que abraça uma causa sem saber sequer o que está falando. 
O fato é que o segmento mais conservador da nossa sociedade, depois de perceber a pegadinha que foi um impeachment comandado por uma quadrilha, está querendo pular fora do debate e não sabe como. Perceberam a "cagada" que foi ir para as ruas convocados por corruptos para lutar contra a corrupção. Foram enganados e não sabem como voltar atrás. Já perceberam que quem defende a democracia de verdade, não são os "petralhas", mas uma multidão expressiva de cidadãos e cidadãs que pensa um país mais justo. Não precisamos apoiar Dilma para defender a legitimidade do seu mandato e perceber a farsa que foi essa manobra de espertalhões, de oportunistas trapalhões, impulsionados por uma imprensa vil que sempre esteve à serviço de forças contrárias aos interesses do povo brasileiro.
Os trabalhadores da cultura, principalmente os artistas, são aqueles que definem civilizações inteiras. Como entender Portugal, sem Camões. Como entender o mundo sem William Shakespeare? É muito bacana dizer que é da terra de Augusto dos Anjos, Jorge Amado, Érico Veríssimo, Portinari, Celso Furtado, Antônio Cândido, Rui Barbosa, Tarsila do Amaral e criminalizar a arte e a intelectualidade contemporânea, como se os milhares de artistas e intelectuais brasileiros e os minguados investimentos que recebem, sejam os responsáveis por essa balbúrdia provocada pela canalhice da maioria de um Congresso Nacional de maioria corrupta e que consome milhões todos os dias. Respeitem os artistas e os intelectuais, os cientistas,os militantes das causas humanas, os ambientalistas, porque eles não precisam pegar em armas para fazer revoluções. Que a ignorância não prospere neste país de tantas farsas. Atacam Chico Buarque, mas silenciam diante dos cachês milionários pagos por prefeituras a um Wesley Safadão. Desculpem, mas o nosso rebolado é outro. 
Não haverá desocupação das ruas até que o bom senso prevaleça diante do oportunismo e da ganância de grupos eternamente privilegiados e corruptos que sempre tiveram tudo e sempre querem mais. Respeitem a cultura brasileira. Cadeia para os corruptos de todos os partidos! E se você não souber o que fala, vá ver um bom filme ou ler um livro. Caso contrário, se informe melhor para não ficar repetindo bobagens. Beijinho no ombro.
* Lau Siqueira, escritor e poeta jaguarense radicado em João Pessoa. Atualmente exerce o cargo de Secretario de Cultura do estado da Paraíba. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Coluna Gente Fronteiriça - Como dizia Gregório de Matos...

Por Lau Siqueira*

Esta semana ouvi o locutor de uma rádio, espantado, anunciar o cachê do Padre Fábio de Melo no Maior São João do Mundo. Também fiquei surpreso: 180 mil reais. No meu tempo Padre só recebia o dízimo. Mas, o valor do cachê não me espantou tanto. Isso é fruto de uma relação fria de mercado, onde a fé “costuma faiá”. O preço é este porque tem quem pague. Me espantou muito mais o miolo da conversa. O assunto era o “redimensionamento” da programação oficial, já anunciada, de onde excluíram artistas como Lucy Alves e Zé Ramalho. Paraibanos da gema e plenamente identificados com a tradição junina. Ora, o cachê do Padre pagava Zé e Lucy com sobras. Se era para economizar, o que justificou a escolha? O fato é que a programação do Maior São João do Mundo vem pisando na bola faz tempo. Atrações que não possuem qualquer identidade com a tradição junina estão “anabolizando” o evento. Mas, isso não é tudo.

Estamos mesmo vivendo tempos bem estranhos para a arte e para a cultura no Brasil. Temos avanços consideráveis, mas as derrotas são abismais. Até o Ministério Público, com sua espada brilhante, pouco dialoga e muito degola. Mas, na margem da política de grandes eventos que domina o nosso país acontecem coisas inaceitáveis. Há uma crescente criminalização e uma cruzada para o extermínio da arte e da genuína cultura brasileira. Seja tradicional ou contemporânea. Uma tragédia anunciada que avança a cada dia sobre os nossos silêncios. Outro exemplo? Há uns quatro anos, a poeta Telma Scherer foi parar numa delegacia por estar fazendo uma performance literária na tradicional Feira do Livro de Porto Alegre. A alegação dos denunciantes é que a mesma estava “atrapalhando o fluxo”. Mais uma vez, portanto, o delírio financeiro apunhalando a arte.

Em Pernambuco, este ano, chegou-se às raias do absurdo. Um deputado apresentou um projeto de lei limitando e até excluindo a ação dos artistas de rua – esses guerreiros que espalham alegria em cenários muitas vezes tão macambúzios. O mais grave é que a Assembleia Legislativa de Pernambuco aprovou esta ameba legislativa e o governador sancionou. Ou seja: estamos vivendo tempos cada vez mais difíceis para artistas e brincantes. Aqui e ali estão excluindo e marginalizando a arte e a cultura. Aniquilando nossa identidade. Tudo em nome das multidões formadas pela milionária indústria do entretenimento. Se temos alguma coisa a ver com isso? Claro que sim. Afinal, estamos debaixo da mesma lona. Ou organizamos nossa alegria, ou seremos arrastados pela tristeza desta silenciosa inquisição. O poeta Gregório de Mattos, sempre atual, já dizia: “Neste mundo é mais rico, o que mais rapa: (...) Quem dinheiro tiver, pode ser papa.”

* Lau Siqueira, poeta e escritor jaguarense radicado em Joaõ Pessoa. Atualmente exerce o cargo de Secretário de Cultura do Estado da Paraíba.

Edição de 24/06/2015 Ano VI nº 218
 
 
 

sábado, 28 de março de 2015

Coluna Gente Fronteiriça - Um Brasil Que Se Revela


Por Lau Siqueira*

Sinceramente gostaria muito de ter participado da manifestação do último dia 15. Caso fosse mesmo uma manifestação popular e espontânea contra a corrupção. Estaria nas ruas se não corresse o risco de encontrar alguém segurando uma faixa pedindo a volta da ditadura. Afinal, as ditaduras apenas escondem a corrupção. Estaria onde as pessoas não estivessem majoritária e contraditoriamente vestidas com a camisa da corrupta CBF. Também iria se não fosse para encontrar tantos políticos acusados de corrupção. Se não se tratasse de uma manifestação seletiva que foca apenas na corrupção da Petrobrás. Se não fosse uma manifestação tragicamente ressentida de quem tinha certeza que o Aécio Neves (citado na operação Lava-jato) venceria as eleições.

No dia 15 o Brasil acordou estranho. Muito estranho. O Partido dos Trabalhadores é o maior partido da América do Sul. Um dos maiores do mundo. Uma agremiação cheia de mazelas, com algumas administrações descaracterizadas. Seja pela mesmice conservadora, ou pela mediocridade. Mas, como negar as virtudes? Como negar os avanços sociais e econômicos do país? Dói na alma associarem o PT ao comunismo. O PT não tem absolutamente nada de comunista. É um partido fundamentado na velha social democracia europeia, transformando excluídos em consumidores. Isso é puro capitalismo!

Todavia está difícil criticar o PT neste momento. Basta um grama de bom senso para verificarmos que o desafio é outro. Pois do outro lado estão movimentos que se dizem apartidários, mas rezam nas piores cartilhas. Movimentos que sequer fazem questão de esconder seus reais interesses. A estar desse lado, sem qualquer noção da história do nosso país, prefiro apenas defender a legitimidade de uma presidente eleita pelo voto livre e direto. Afinal, a democracia é a maior conquista do povo brasileiro.

O Brasil que se revela manipulado e raivoso não se contrapõe aos petistas ou não petistas envolvidos em corrupção. Se iguala. Mais parece um país de pessoas revoltadas porque não estão levando vantagem. É um país que quer um impeachment apenas para voltar para a frente da televisão e assistir novos casos de corrupção, de impunidade, de violência, enquanto espera a novela das oito. O Brasil que foi para as ruas no dia 15 é um país que quer mudança no governo, mas não quer mudar uma vírgula da história. Um país de pessoas que não merecem vencer porque não sabem perder. Um país de pessoas que se dizem apolíticas, mas cujas atitudes são eminentemente políticas. Um país despetalando raivosamente o futuro. Mas, as manifestações do dia 15 também são fruto da democracia. Ainda bem, pois só a democracia nos permitirá seguir em frente.


* Lau Siqueira, jaguarense radicado em João Pessoa. Poeta, ativista cultural, atualmente ocupa o cargo de Secretário de Cultura do Estado da Paraíba.

Edição de 25/03/2015  Ano IV nº 205